Como utilizar o case da Bettina para pensar os limites da publicidade

O Conar abriu nesta sexta-feira (22/03) uma representação ética contra anúncios veiculados pela Empiricus. Bettina, uma das portas-vozes da empresa de conteúdo financeiro, ganhou repercussão das mídias e gerou muito buzz nas redes sociais nas últimas semanas. O discurso de transformar mil em um milhão em 3 anos, chamou atenção, mas a que preço?

Entre memes e discussões, a empresa alegou que se tratava de uma propaganda, que não deveria ser levada ao pé da letra. Assim como grande parte da publicidade que em sua essência deve potencializar e valorizar os produtos e serviços que promove.

Qual o preço para chamar atenção na publicidade?

Em entrevista, a jovem de 22 anos se defendeu dizendo que não falou nenhuma mentira, e que de fato o primeiro aporte que investiu na bolsa foi de R$1500,00. Depois disso, realizou muitos aportes, inclusive um de 35 mil reais dado pelo seu próprio pai. Ela alega que a forma como conseguiu acumular mais de um milhão será explicada em uma websérie, mas que precisava de um discurso inicial que chamasse atenção das pessoas.

A repercussão já era esperada, mas nem a própria empresa poderia prever o tamanho da viralização. Porém, a percepção em um primeiro momento da grande maioria das pessoas foi de antipatia e desaprovação. Outros internautas alegaram que esse mesmo discurso é utilizado por diversos homens, mas o fato de ser uma mulher falando sobre investimentos mexeu com uma área onde os homens são majoritários.

A empresa preparou um vídeo resposta aos comentários.

Diversas marcas também se aproveitaram do momento e surfaram na onda da Bettina, como foi o caso da Skol, McDonald’s e Ifood.

Marketing copyrighting

O Copywriting é uma técnica utilizada há muitos anos nos Estados Unidos e que está em alta no Brasil, sendo a estratégia escolhida pela Empiricus. O conteúdo produzido para venda de serviços ou produtos deve ser envolvente e provocante para sensibilizar os leitores e gerar leads.

Porém, o Procon-SP  entendeu que a fala do vídeo pode despertar incoerências para o público, e exigiu que a companhia preste esclarecimentos sobre a evolução financeira da Bettina.

Em novo vídeo, Bettina disse estar orgulhosa da repercussão. “Quando que antes o Brasil parou para falar de um assunto desse: se é possível enriquecer com ações e sobre educação financeira?”.

O propósito da jovem e da empresa podem estar claros, de fato milhões de pessoas passaram a parar para refletir sobre o assunto. Mas a que preço? A publicidade negativa compensa? E qual o papel da propaganda nisso? Seria essa uma linguagem e proposta ética ou antiética? São muitas perguntas para muitas respostas abertas. Mas sempre válida a reflexão e análise. Qual sua opinião?


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